Segunda-feira, definitivamente, é o dia da saudade. Pelo menos pra mim.
Saudade do fim de semana, saudade dos amigos, saudade das pessoas, saudade de antigos empregos, da adolescencia, da infância e de tudo que passei, como se fosse um balanço. Saudades utópicas e saudades platônicas. Segunda-feira tem cheiro de recomeço, de mais uma chance, tem cheiro de oportunidade, e também de página virada. É como se eu não tivesse escolha, toda segunda-feira tem o ar de novo. O incômodo ar de novo.
Eu não quero o novo. Nem sempre quero o novo, nem sempre é bom. Quero um pouco do aroma de passado nas minhas segundas, só isso.
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Aumento todo mundo quer!
Publicado Março 7, 2008 Sem-categoria 2 ComentáriosTags: Cachorro de rua, Felicidade, Rapzodo, Salário, Simples
Quando o assunto é salário ou dinheiro, são poucos os satisfeitos com o seu. Todo mundo quer mais, sempre mais.
Hoje, no rádio da van que pego pro trabalho, a locutora conversando sobre aumento de salário disse “por enquanto não to precisando não”, foi quando o outro locutor se espantou e logo deduziu um salário milionário. Logo, um comentário de um passageiro “Essa ganha bem!”. Quem sabe? Será realmente um salário milionário da locutora ou um salário suficiente?
Não ganho muito, também não ganho pouco. Digo que é o suficiente pra vida que levo e pros gastos necessários pra me manter e manter minha família viva, jus ao meu papel na empresa. Aumento? É bom, mas não preciso por enquanto. Tenho meus desejos materiais mas nada urgente, nada que eu não consiga abrindo mão de certos gastos e com esforço. Logo me vem a cabeça a frase que todo mundo diria “Mas com dinheiro se faz tudo!”, porém não encaro essa facilidade como algo bom, afinal, como diz Rapzodo, “Que graça teria se não fosse difícil?”. O quanto eu deixaria de aprender com a vida se fosse tudo tão acessível e sem esforço?
Felicidade vai muito, mas muito além de um aumento de salário. A felicidade é muito mais simples e barata, é só você buscar. Somos poucos que ganhamos o dia com um “bom dia” sincero de um cobrador de ônibus, com um balançar de rabo de um cachorro de rua, com a satisfação de ter trabalhado o mês todo e no final se apertar pra comprar algo com a ímpar sensação de missão cumprida.
A real é que a felicidade da maioria se resume em mais 0 na conta bancária. A pergunta é: Qual o preço da sua felicidade?
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Baixe o disco e pague o que quiser.
Publicado Janeiro 31, 2008 Sem-categoria 0 ComentáriosTags: BNegão, CD, Disco, GOG, Industria musical, Música, Metallica, MP3, Napster, Radiohead, The Charlatans
Depois do rebuliço que o Radiohead fez anunciando que disponibilizaria o novo álbum pelo preço a gosto do freguês, semanalmente temos novas notícias de novas bandas aderindo a filosofia. Vale lembrar que essa “nova” forma de “venda” não é de autoria da banda. Algumas bandas independentes há anos atrás fizeram o mesmo. Até então não vejo diferença entre uma banda independente e uma de selo famoso fazer isso, aliás, vejo muito mais audácia vindo de uma banda independente, visto que o investimento vem todo do próprio bolso. O primeiro a fazer isso, que eu lembre - com a péssima memória -, foi o BNegão liberando todas as faixas do Seletores de Frequência no site. E mais uma banda aderindo a nova filosofia, dessa vez o Charlatans.
A real é que depois do Napster, as lojas de CD vivem cada vez mais às moscas. Muitas fecharam e algumas apelam pra outro ramo, vendendo instrumentos, camisas e etc, tentando se segurar pra não cair no buraco também. Perdemos e ganhamos com isso.
Antigamente se comprava um disco e curtia o disco. Não era só ouvir, existia um prazer em tirar o disco da capa, colocar no prato, mirar a agulha, relaxar e curtir o som olhando a contra-capa. Algumas vezes ouvir um disco novo era um evento em que se reunia amigos e curtia cada segundo da faixa. Existiam vendedores qualificados que indicavam boas músicas, havia a troca de informação, a identificação com quem indicava, a vontade de estudar novas bandas. Perdemos isso. Hoje é tudo muito formal. Digitamos um www da vida, um clique aqui, outro acolá e pronto, já está a barrinha mostrando a situação do download. Baixado, ouvimos o disco sem o mesmo compromisso, as vezes ouvimos fazendo outra coisa, trabalhando, pegando um ônibus, fazendo compras, malhando e etc. Há quem saiba admirar o trabalho de um disco fazendo isso tudo, mas a grande maioria usa como trilha de fundo. Bom ou ruim? Depende. Eu, por exemplo, acho que o grande ganho disso tudo foi o fácil acesso. Hoje posso conhecer muito mais músicas que há 10 anos atrás. Bom ou ruim? Depende. Disco comprado nos dava a obrigação de no mínimo conhece-lo bem pra dizer que não gostou. Disco baixado tem tolerância baixíssima, afinal, “se eu não gostar dessa merda eu deleto”. Talvez baixando um CD do Iron Maiden atualmente sem conhece-los, não me faria gostar deles como gostei (ou tive que gostar) quando comprei o meu primeiro CD.
Bom ou ruim? Depende.
E os artistas? Também depende. Radiohead não vai deixar de ganhar dinheiro porque liberou o cd gratuitamente na net. É o útil ao agradável. “Já que ninguém vem comprando tanto CD, não adianta apelar pra mais um e esperar fatia grande de lucro vindo das vendas. Bem, libera essa merda. Pelo menos chamamos a atenção da mídia e subimos no conceito de alguns.” Ótima sacada! Ótima pra eles e pra nós. confesso que fiquei tentado ao ler pela primeira vez a notícia, quase baixei o cd. Vai que eu gosto? Ganhariam mais um fã. Viu como funciona? E você acha que quem é fã vai deixar de comprar o cd por causa disso? Eu tenho os meus do Metallica até hoje e comprarei o novo sim!
E os artista independentes? Bom, pra eles sim a perda dessa fatia pode desfalcar, porém, é uma ótima forma de divulgação. Cabe a eles terem um bom trabalho e se garantirem o bastante pra atrair público pros shows e terem novos admiradores, e aí sim render alguma coisa. Eis a diferença entre um artista foda e um artista da moda. Mas isso fica pra outro post.
O GOG, que também liberou o último disco com a mesma filosofia, escreveu uma frase interessante e apelativa: “é o que nos manterá vivo“. Ele tem todo direito de ser realista dessa forma, como se não bastasse ser um artista de hip hop, é um artista nacional. Tem que fazer mágica pra trabalhar e se sustentar se não quiser se render à industria.
É o que manterá o artista vivo sim, não há ninguém por trás deles, é desse “incentivo” que sairá o próximo disco, aquele show que você queria tanto ver, uma nova parceria, um equipamento melhor pra maior qualidade da música. Ao contrário do Metallica, que até hoje chora cada centavo perdido pro Napster e continuam milhonários. Uns putos!
Esse é o tipo de assunto que renderia uns 3 dias seguidos. Mas a verdade é que quem é fã não vai deixar de contribuir nunca, de uma forma ou de outra.
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Mais uma vez Tim Maia
Publicado Janeiro 18, 2008 Sem-categoria 0 ComentáriosTags: Colagem, Música, Mo'Horizons, Sample, Superworld, Tim Maia Racional, You don't know what I know
E mais uma descoberta de samples do Tim Maia, agora feito pela dupla alemã Mo’Horizons.
A música é Superworld (Children’s World Replay) do álbum Remember Tomorrow, e a original do sample é a You don’t know what I know do álbum Tim Maia Racional Vol. I, um clássico!
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Simplicidade
Publicado Janeiro 14, 2008 Sem-categoria 0 ComentáriosTags: Angenor de Oliveira, Arte, Cartola, Festa da vinda, Música, Não cabe aqui, Simplicidade
Sem dúvida alguma Angenor de Oliveira é a minha maior inspiração pra música. Demorei pra compreender a mensagem que ele passou sem a intenção. Angenor é um estilo de vida, é o que muitos buscam e poucos conseguem. Uma referência pra quem tem um mínimo de música no sangue.
Angenor foi um homem de pouco estudo, e sozinho ou com parcerias, chegou a compor mais de quinhentas canções. Sua poesia é encontrada até hoje em vários lugares, textos universitários, livros, jornais, cartões e etc.
Algumas de suas músicas foram regravadas pelos maiores músicos do país mesmo depois de sua morte, algumas com mais de 100 regravações.
Mesmo famoso, não chegou a ficar rico e não parou de compor por isso. Angenor era e é conhecido como Cartola, e morreu em 1980, sem dinheiro e acredito que sem arrependimentos.
Arte não é produto.
Festa da vinda (Cartola/Nuno Veloso)
Eu e meu violão
Vamos tocando em vão
O seu regresso
Se soubesses como choro
E como peço
Para que nosso fracasso
Se transforme em progresso
Apesar de todo erro
Espero ainda
Que a festa do adeus
Seja a festa da vinda
Já perdi tantos amores
Não notei diferença
Pensei que passava séculos
Sem a sua presença
Misturada entre as pedras preciosas
do mundo
Com um simples olhar
A você não confundo
Ouça aqui
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Personalidade Enarmônica
Publicado Janeiro 10, 2008 Sem-categoria 1 ComentárioTags: Enarmonia, Personalidade
O ano começa e já me intrigo com a insistente atitude de muitos. A personalidade enarmônica.
Com a namorada ele é um amorzinho, fala manso, é frágil e até penteia o cabelo . Com a banda ele é o tipo “sexo, drogas e rock’n roll”, veste roupas pretas e tem opiniões fortes, sempre com o ar de superior que só os drogados e alcoolizados tem. Com os amigos de noitada ele veste roupas da moda e usa as gírias da moda. A personalidade é em função dos outros, tudo depende.
Por quê? Será medo de não ser aceito? Necessidade de colecionar ‘colegas’? Ou dos dois? Será que é tão ruim assim ser você de verdade? Ou ainda não sabem quem são de verdade?
Já lembrava BNegão “Quem controla suas vontades, seu espírito ou a sociedade?” na letra de Muita falta de anti-profissionalismo do Quinto Andar. Vale a reflexão a fundo. Ouça
Longe de mim levantar a bandeira do “foda-se todo mundo”, mas cada dia que passa as pessoas se importam mais com o “alheio”, com o que vão pensar, o que vão falar, “o que vou vestir pra me elogiarem e me aceitarem”, e quanto não se tem opiniões formadas, maior o perigo de se levar pelas opiniões alheias. Eis a pior das dependências.
Espero que em 2008 as pessoas sejam mais íntegras, que mudem bastante, pra melhor! Que se encontrem e deixem a pela-saquice de lado. Sejamos flexíveis, mas nunca enarmônicos.
Enarmonia é o termo musical onde os acidentes (meio tom) tem dois “nomes”. Entre o Fá e o Sol temos o Fá#/Solb. Pode ser chamado de Fá# ou Solb, depende de onde vem…
